miércoles, 16 de abril de 2014

medle critica

O guitarrista dos Pink Floyd tinha razão! Depois das experiências mais ou menos bem sucedidas com o som Sinfónico de Atom Heart Mother e o cacofónico de Ummagumma, os Pink Floyd estavam preparados para dar o salto de transacção de fenómeno underground para “banda de massas”. O primeiro sinal de que as coisas estavam a mudar era o crescente papel de Roger Waters no grupo. O baixista passava a assinar todas as letras de Meddle e daqui para frente seria ele o impulsionador da máquina dos Pink Floyd. Temas como a alienação; a arrogância; a pressão da sociedade sobre o indivíduo ou o distanciamento crescente nas relações humanas (e que apareceriam anos mais tarde em “Dark Side of the Moon” ou “The Wall”) começavam a ganhar força e expressão. A lógica do “Us vs Them” que ainda hoje apazigua Waters surge pela primeira vez em Echoes”: “Strangers passing in the street/ By chance two separate glances meet/ And I am you and what I see is me/ And do I take you by the hand/ And lead you through the land/ And help me understand the best I can…” “Echoes” é sem dúvida a “obra prima” da carreira dos Floyd. No saudoso tempo do vinil ocupava o lado B, tal era a imponência dos seus 23 minutos. Curiosamente este colosso sónico surgiu de 25 melodias diferentes compostas pelos vários membros da banda que depois de muita pesquisa e experimentação decidiram unir as várias secções do título original da peça “The Return of the Son of Nothing”. Começa vagarosamente com pingos de sons aquáticos que depois desembocam numa melodia crescente onde a Stratocaster de Gilmour tem um papel proeminente. Pelo meio há uma espécie de “jam funk-o-espacial” com a guitarra cósmica a ir ao sétimo dos céus. Genial… Virando o lado do disco, e voltando ao início escuta-se o vento com “One of These Days (I´m Going to Cut You Into Little Pieces)” puxado por um baixo hipnótico de Waters. Não é apenas um, mas dois baixos, Gilmour está também lá a dar o seu contributo. E no meio aparecem os teclados de Wright que com uma subtileza muito discreta arrebatam o ouvinte para as profundezas das viagens inter-galácticas. Facto assinalável é também o facto de aparecer pela primeira a voz do baterista Nick Mason. O resto do álbum é um pouco mais ecléctico e terrestre. “Pillow of the Winds” contem grandes dedilhados de guitarras acústicas sonhadoras. “Fearless” é um hino dedicado aos fãs do futebol (no final até se ouve o tradicional “You´ll Never Walk Alone” cantado por adeptos do Liverpool)! Cantado por Waters, “San Tropez” é uma canção ideal para quem vai de férias para a praia. “Seamus” é um blues dedicado ao cão de agradável Mariott, guitarrista dos Humble Pie e amigo de Gilmour que ocasionalmente ladrava no estúdio quando gostava de uma música!Ao fim de 36 anos, “Meddle” ainda soa a fresco e encantador. Foi quase êxito global não fosse o contínuo fracasso de vendas que a banda enfrentava nos Estados Unidos desde 1967. O grupo não contente com a situação, acusava a editora (Capitol Records) de má gestão promocional. A editora por seu turno achava que a banda não fazia música para passar na rádio e consequentemente tinha um produto extremamente difícil de comercializar . Mal eles sabiam todos que dois anos depois a vida deles estava prestes a dar uma volta de 180º graus. Mas por enquanto os Floyd mantinham-se ainda “no lado oculto da lua”… http://www.mediafire.com/? 42rvbdo3bm2a254